segunda-feira, 21 de março de 2011

Tome Chuva!

Tome Chuva!

 Foto: Duda Corrêa - Jardim São Carlos - São Miguel Arcanjo

“Todos nós desejamos a felicidade e não sofrer”. É o que diz Dalai Lama. Para ele esse desejo deve ser respeitado e a felicidade é um direito universal. Todos temos o direito a ser feliz. Segundo Aristóteles, “ser feliz” é o primeiro e fundamental traço ou imperativo da figura ética do homem. Um ato Ético então, para Dalai Lama, é aquele que não fere a experiência de felicidade de outra pessoa. Um ato anti-ético é aquele que fere a experiência de felicidade de outros.
Leonardo Boff, representante brasileiro do Conselho da Terra, explica que a ética é parte da filosofia. Considera concepções de fundo acerca da vida, do universo, do ser humano e de seu destino, estatui princípios e valores que orientam pessoas e sociedades. Uma pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções. Diz-se, então, que tem caráter e boa índole.
Para o filósofo Enrique Dussel, "a vida humana é o conteúdo da ética”. A ética motiva-se através da vida em comunidade a partir de cada sujeito, dos valores, das virtudes, com a finalidade de se chegar à felicidade, de viver bem. Parte-se "de dentro" de cada um para a relação com o próximo, e é "um princípio universal de toda a ética [...] da obrigação de produzir, reproduzir e desenvolver a vida humana concreta de cada sujeito ético em comunidade." Uma comunidade ética, então, começa a partir da eticidade de cada um e, para construir essa eticidade, é preciso observar os direitos de cada ser humano e respeitá-los. O direito fundamental pode ser o direito à felicidade. Para Dalai Lama, "é possível estabelecer princípios éticos controladores quando tomamos como ponto de partida a constatação de que todos nós desejamos a felicidade e queremos evitar os sofrimentos”.
A Constituição Brasileira de 1988 expressa em suas linhas no Art. 227 que “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. Incluímos aqui o direito a sonhar. Quando não damos acesso aos nossos jovens a essas prerrogativas garantidas em constituição, cometemos um crime, violamos direitos. Ferimos a experiência de felicidade da juventude, realizamos um ato anti-ético usurpando destes o direito fundamental de todo ser humano: ser feliz.
Não somos “formados” para termos essa percepção da realidade. Somos, na verdade, em grande parte, o homus economicus, seguindo tal doutrina religiosamente, sem refletir. Sendo a cada dia, como diz Eduardo Galeano, convencidos mais e mais de que não há virtude maior do que a virtude do papagaio, do macaco, dos que imitam. De ecos de vozes alheias. Daquelas que nos fazem ser o que somos, uma cópia precária e mal acabada de uma modernidade que não chegou aqui.
A pouca noção de responsabilidade, de que somos responsáveis pelos efeitos de nossos atos, faz fortalecer a idéia de que a ética deva estar mais presente e atuante nas entranhas da sociedade. "A humanidade geme, quase sepultada pelo peso do progresso que produziu. Ela não sabe suficientemente que seu futuro depende dela. Dela depende se quiser continuar vivendo". (BERGSON). Portanto, a ética como reflexão crítica e como reflexão de projetos e utopias se torna urgente. Tanto no cidadão, o civil, quanto nos órgãos reguladores dos Estados, nas instituições de todos os tipos, principalmente educadoras, sendo essa dupla atividade oportuna e importante neste momento histórico. Durante isso, tome chuva! Faz bem e você tem esse direito.

Um abraço,
Tiago Mi.

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